Corpo de santo em devir

Um relato autoetnográfico de uma psicanalista em limiar com o candomblé

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21136774

Palavras-chave:

Candomblé, Psicanálise, Lacan, Ndumbe, Bantu, Finitude, Continuidade

Resumo

Este relato de experiência adota a metodologia autoetnográfica e as proposições foucaultianas da 'escrita de si' para analisar o percurso de subjetivação de uma psicanalista em interlocução com o candomblé de tradição Angola no Médio Paraíba (RJ). O estudo debruça-se sobre o estado de Ndumbe — o tempo de aprendizado e espera que precede o rito de iniciação —, articulando-o dialeticamente com o tempo lógico formulado por Jacques Lacan. A partir dessa vivência situada, o trabalho tensiona os limites da teoria psicanalítica freudiana em sua leitura universalista das religiões e da finitude, contrapondo o silenciamento ocidental da morte à perspectiva de corpo relacional, comunitário e ancestral própria das cosmologias de terreiro de matriz afro-brasileira. Por meio da análise de objetos relacionais ritualizados, como a quartinha e o fio de contas, o relato demonstra como a rotina do terreiro desloca a concepção moderna de sujeito autônomo em direção à circulação de Nguzu e à coletividade Bantu. Conclui-se que o trânsito no limiar dessas duas práticas de cuidado produz uma escrita transformadora e um corpo de santo em devir, reafirmando o valor dos saberes tradicionais frente à colonialidade.

Biografia do Autor

Iris Braga Aguiar de Freitas, Instituto Parentes

Psicóloga, graduada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), psicanalista e pós-graduanda em Psicologia Decolonial pelo Instituto Parentes, em parceria com a FGE. Atua em consultório particular e desenvolve pesquisas que articulam Psicanálise, Psicologia Social e Psicologia Decolonial, com interesse nos processos de subjetivação, nas epistemologias produzidas por autores e comunidades latino-americanas, africanas, afro-diaspóricas e indígenas, e nas relações entre cultura, território, produção de saberes, práticas ancestrais de cuidado e saúde mental.

Fabíola Amaral Tomé de Souza

Doutora em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), mestre em História Social e especialista em História das Culturas Afro-brasileiras e Sociologia. Atua como professora assistente do UniFOA e docente da rede estadual do Rio de Janeiro, sendo pesquisadora da UFRRJ e do Observatório da Educação Superior do UniFOA

João Bosco Filho

Enfermeiro, psicólogo e doutor em Educação pela UFRN. Docente da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e do Programa de Pós-Graduação Profissional em Saúde da Família (RENASF/UFRN). Atua nas áreas de Psicologia, saúde coletiva, cuidados paliativos, luto e Psicologia Decolonial.

Tata Kisanje

Sacerdote do Candomblé de Nação Angola, dedicado à preservação e à transmissão dos saberes tradicionais bantu e da cultura afro-brasileira. Atua em atividades de formação religiosa, ações culturais e palestras voltadas à valorização da ancestralidade africana, tendo participado do Festival Xetruá Lavizala (2021) e do 3º Encontro das Nações – Saberes do Estado do Rio de Janeiro (2026).

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Publicado

07.07.2026

Como Citar

Braga Aguiar de Freitas, I., Souza, F. A. T. de, Filho, J. B., & Kisanje, T. (2026). Corpo de santo em devir: Um relato autoetnográfico de uma psicanalista em limiar com o candomblé. Revista Parentada, 1(1), 145–159. https://doi.org/10.5281/zenodo.21136774