Corpos fronteiriços em Pindorama

Etnografia dos nós, entre apagamentos, canções e resistências nas águas do rio Bugres e Paraguai

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21136930

Palavras-chave:

Corpo-fronteiriço, Consciência Mestiça, Artesanias Pindorâmicas, Espelhos Enterrados, Psicologia Descolonial

Resumo

"Eu vou superar a tradição do silêncio". É sob esse compromisso que brotam as linhas deste trabalho, uma travessia sensível e visceral que investiga as afetações da colonialidade nos corpos-territórios de Abya Yala. Entre o quintal do avô — que se revela maior do que o mundo eurocentrado — e o encontro denso das águas dos rios Bugres e Paraguai, a autora borra as fronteiras entre a psicologia e a vida ao resgatar a ancestralidade interracial escondida nos nós de sua árvore familiar. Movida por uma antiga canção materna que ecoa através das gerações, esta escrita recusa-se a domar sua língua selvagem. Com fôlego de pássaro livre e pés fincados na terra, firma-se uma cartografia afetiva feita de retalhos, imagens e afetos circulares, onde o ato de recordar se converte no mais sagrado instrumento de cura e libertação popular.

Biografia do Autor

Amanda Suellen Costa Carrasco, Instituto Parentes

Amanda Carrasco é curiosa, nascida de uma família interracial, criada na beira das águas do rio Bugres e Paraguai, psicóloga pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Especialista em Psicologia Clínica Fenomenológico-Existencial; em Atendimento Clínico à População LGBTQIAPN+ e às Diversidades Sexuais e de Gênero (IPPERG/FAUSP); e em Psicologia da Descolonização (Instituto Cooperativo Parentes). Possui formação em Esquizodrama e em Psicologia Intercultural. É membro do Centro de Referência em Sexualidade (CRESEX) e desenvolve atividades clínicas, de pesquisa e formação continuada nas áreas de Psicologia Clínica, Saúde Mental, Sexualidades, Estudos de Gênero, Direitos Humanos, Psicologia Intercultural e Psicologia da Descolonização.

Tamires Eidelwein

Doutoranda em Direito - área de concentração em Direitos Especiais -, com bolsista integral PROSUC/CAPES, pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI/SA). Mestra em Antropologia pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal do Piauí/PPGAnt-UFPI, com bolsa integral da CAPES. Especialista em Direito Penal e Processo Penal pela Uninovafapi. Especialista em Direito Constitucional e Administrativo pela ESA/PI/Uninovafapi. Bacharela em Direito pela Universidade do Vale do Taquari/RS (UNIVATES). Advogada OAB/PI 17.335. Atualmente é membro do Grupo de Pesquisa CNPq: Direitos de Minorias, Movimentos Sociais e Políticas Públicas.

Referências

ANZALDÚA, Gloria. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. 4. ed. San Francisco: Aunt Lute Books, 1987.

ANZALDÚA, Gloria. La conciencia de la mestiza: rumo a uma nova consciência. In: H. B.Hollanda (Org.), Pensamento feminista - conceitos fundamentais (pp. 323-339). Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.

ANZALDÚA, Gloria. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. 4. ed. San Francisco: Aunt Lute Books, 2012.

ANZALDÚA, Gloria. Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo. Trad. Édna de Marco. Revista Estudos Feministas. Florianópolis: UFSC, v.8, n. 1, p.229-36, 2000.

ANZALDÚA, Gloria. A vulva é uma ferida aberta & outros ensaios. Tradução de Tatiana Nascimento. Rio de Janeiro: A Bolha Editora, 2021.

BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo: antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BISPO DOS SANTOS, Antônio. Colonização, quilombos: modos e significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015.

GEMTUPY, “Cabocla”, sim; indígena, não? Instagram. Disponível em: https://www.instagram.com/gemtupy?igsh=ZWxvajNkd3I2ZXEz Acesso em: 2 de maio. 2026.

GONÇALVES, Bruno Simões. Nos caminhos da dupla consciência: América Latina, psicologia e descolonização. [S.l.]: Ed. do Autor, 2019.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MORAGA, Cherrie. “La güera”. Debate feminista, ano 12 – vol. 24, out. 2001.

OLIVEIRA, Valéria Maria Santana; MESQUITA, Ilka Miglio de. O projeto assimilacionista português: o diretório pombalino sob um olhar decolonial. Roteiro, Joaçaba, v. 44, n. 1, e15119, 2019. Disponível em. acessos em 06 abr. 2026. https://doi.org/10.18593/r.v44i1.15119.

PAREDES, Julieta. Hilando fino desde el feminismo comunitario. La Paz: Comunidad Mujeres Creando Comunidad, 2008.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais: perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-138.

RÁDIO YANDÊ. Rádio Yandê: Etnomídia Indígena. Rio de Janeiro, 2026. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2026.

WERÁ, Kaká. Tekoá: uma arte milenar indígena para o bem-viver. 1. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2024.

Downloads

Publicado

07.07.2026

Como Citar

Carrasco, A. S. C., & Eidelwein, T. (2026). Corpos fronteiriços em Pindorama: Etnografia dos nós, entre apagamentos, canções e resistências nas águas do rio Bugres e Paraguai. Revista Parentada, 1(1), 169–184. https://doi.org/10.5281/zenodo.21136930