Entre olhos d’água e colecionadora de asas
Travessias de um feminismo descolonial
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21137298Palavras-chave:
Cartagrafia, Feminismo Descolonial, Escrevivência e Memória, Corpo-Território Negro, Cuidado ColetivoResumo
Este escrito assume o contorno sagrado de um Ebó e a precisão afetiva de uma cartografia implicada, tecendo travessias sensíveis rumo a um feminismo descolonial gerado no chão comunitário e na reinvenção da Psicologia. Recusando o distanciamento frio da escrita tradicional, a autora escolhe o envolvimento e o corpo implicado, corporificando seu texto em três cartas vivas que funcionam como rastro e semente. Na primeira, fita o espelho líquido de Conceição Evaristo, desaguando em lágrimas e banho nas águas de Mamãe Oxum para curar as dores da fome e enfrentar os cortes da colonialidade de gênero. Na segunda, tece um testamento poético à sua sobrinha de seis anos, convocando-a a colecionar asas de coragem e a honrar o voo histórico e a reexistência das mulheres negras. A obra deságua em um convite afetuoso a quem lê, afirmando que o feminismo descolonial não é porto seguro, mas movimento em espiral, escuta de vozes silenciadas e prática de cuidado coletivo que faz a palavra sangrar e também florescer.
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