Entre olhos d’água e colecionadora de asas

Travessias de um feminismo descolonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21137298

Palavras-chave:

Cartagrafia, Feminismo Descolonial, Escrevivência e Memória, Corpo-Território Negro, Cuidado Coletivo

Resumo

Este escrito assume o contorno sagrado de um Ebó e a precisão afetiva de uma cartografia implicada, tecendo travessias sensíveis rumo a um feminismo descolonial gerado no chão comunitário e na reinvenção da Psicologia. Recusando o distanciamento frio da escrita tradicional, a autora escolhe o envolvimento e o corpo implicado, corporificando seu texto em três cartas vivas que funcionam como rastro e semente. Na primeira, fita o espelho líquido de Conceição Evaristo, desaguando em lágrimas e banho nas águas de Mamãe Oxum para curar as dores da fome e enfrentar os cortes da colonialidade de gênero. Na segunda, tece um testamento poético à sua sobrinha de seis anos, convocando-a a colecionar asas de coragem e a honrar o voo histórico e a reexistência das mulheres negras. A obra deságua em um convite afetuoso a quem lê, afirmando que o feminismo descolonial não é porto seguro, mas movimento em espiral, escuta de vozes silenciadas e prática de cuidado coletivo que faz a palavra sangrar e também florescer.

Biografia do Autor

Maria de Jesus Santana Álvares, Instituto Parentes

É psicóloga (Formada e Licenciada pela FAFIRE, Recife-PE), Pós-graduada em Intervenções Psicossociais com grupos em situação de risco (FAFIRE) e Psicologia Decolonial (Instituto Parentes). Tem formação em Educação Popular (Escola Quilombo dos Palmares) e Abordagem Centrada na Pessoa (Instituto Diabasis de Humanismo da Bahia). Atualmente é psicóloga da Prefeitura Municipal de Ipojuca na Policlínica de Porto de Galinhas. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia Social Comunitária e na área de ensino. Atua também como Psicoterapeuta (Psicologia Clínica) e Educadora Popular, com elaboração e/ou execução de Projetos Sociocomunitários e Facilitação de grupos.

Alana Braga Alencar

É psicóloga (UFC), mestre em Psicologia (UFC), doutora em Psicologia (UFRN) e pós-graduada em Psicologia da Descolonização (Instituto Parentes). É mãe de Inaê, psicóloga comunitária , clínica e perinatal, educadora popular em saúde e facilitadora de Biodança. É aprendiz de parteira na tradição da ESCTA CAIS Rede Internacional, integra a diretoria da Escola de Saberes, Cultura e Tradição Ancestral, o grupo operacional da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais e Povos Originários do Brasil (RNPTPO-BR) e o Comitê Coordenador da Alianza Continental de Parteras Tradicionales e Indígenas de las Américas. Desenvolve pesquisas e práticas comprometidas com a valorização dos conhecimentos ancestrais, a justiça social e a defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais. Desenvolve pesquisas e práticas nos campos da Psicologia Social, da Psicologia Comunitária, da decolonialidade, dos feminismos periféricos, dos saberes tradicionais, da perinatalidade, das parteiras tradicionais e do Bem Viver.

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Publicado

07.07.2026

Como Citar

Álvares, M. de J. S., & Alencar, A. B. (2026). Entre olhos d’água e colecionadora de asas: Travessias de um feminismo descolonial. Revista Parentada, 1(1), 219–227. https://doi.org/10.5281/zenodo.21137298