Fios, ervas e memórias

Uma crônica da sociopoética do cotidiano

Autores

  • Raquel Alves de Sene Instituto Parentes
  • João Bosco Filho

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21137407

Palavras-chave:

Sociopoética do Cotidiano, Práticas Contracoloniais, Saberes Orais e Memória, Territórios do Comum, Bem-Viver-Bem

Resumo

Esta crônica se oferece como um ebó metodológico e uma oferenda de gratidão gerada no chão da periferia paulistana, onde o conhecimento não nasce da distância, mas da presença. Escrito com o corpo e a história de uma mulher preta e periférica de 52 anos, o texto consagra as miudezas do cotidiano como trincheiras legítimas de resistência e cura coletiva. Através do fôlego da sociopoética e da oralidade, a obra abre a roda para narrar os encontros das crocheteiras "Formiguinhas do Amor", revelando como uma revolução silenciosa ferve na água com capim-cidreira, assenta em cadeiras puxadas em círculo e se entrelaça no circular de um ponto de crochê que une gerações. Em confluência com Nego Bispo, Paulo Freire e Aníbal Quijano, a escrita recusa o distanciamento frio das linhas acadêmicas, celebrando o comum, o afeto e o bem-viver-bem em um tempo espiralado de "começo, meio e começo", onde o saber tem cheiro de erva e textura de fio.

Biografia do Autor

Raquel Alves de Sene, Instituto Parentes

É mulher negra, psicóloga e parida pelo Instituto Cooperativo Parentes. Graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (UNIP), atua nas Medidas Socioeducativas em Meio Aberto (SMSE/MA) e na clínica psicológica. É pós-graduada em Saúde Mental e Relações Étnico-Raciais: Perspectivas Decoloniais e Afrodiaspóricas, especialista em Gênero e Sexualidade em Contextos Clínicos e Educativos e pós-graduada em Psicologia da Descolonização, formações realizadas no Instituto Cooperativo Parentes. Atualmente é pós-graduanda em Psicologia Política Latino-Americana e cursista do PROFAM - Lélia Gonzalez Presente. Sua prática é territorializada, orientada pela Justiça Restaurativa, pelos Direitos Humanos e pelas perspectivas afro-diaspóricas e contracoloniais, dedicando-se ao cuidado de adolescentes, mulheres e comunidades.

João Bosco Filho

É enfermeiro, psicólogo e docente do Curso de Ciências da Religião da UERN e do Programa de Pós-Graduação Profissional em Saúde da Família - RENASF/UFRN. Doutor em Educação pela UFRN e mestre em Enfermagem em Saúde Pública pela UFPB, possui formação em Psico-oncologia, Tanatologia, Perdas e Lutos, Arte na Clínica, Psicoterapia do Luto e Cuidados Paliativos. Psicólogo do Instituto de Psicologia Sócio-Histórica (IPSH), é pós-graduando em Psicologia Decolonial e em Psicologia Política Latino-Americana pelo Instituto Parentes.

Referências

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Publicado

07.07.2026

Como Citar

Sene, R. A. de, & Filho, J. B. (2026). Fios, ervas e memórias: Uma crônica da sociopoética do cotidiano. Revista Parentada, 1(1), 228–236. https://doi.org/10.5281/zenodo.21137407