Identidade quilombola
A cupópia como prática de resistência no quilombo Cufundó
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21138078Palavras-chave:
Quilombo Cafundó, Língua Cupópia, Identidade, Resistência, Corpo-territórioResumo
Nas dobras de Salto de Pirapora, a terra enuncia a si mesma através de uma ciência que não cabe nos papéis: a Cupópia. Sob o amparo da Psicologia Latino-Americana e dos saberes contracoloniais, este estudo caminha pelo Quilombo Cafundó para compreender a língua não como mero código, mas como território simbólico de produção de mundo, escudo de resistência e abraço de pertencimento. Bebendo da oralidade viva de griôs e lideranças, a pesquisa desenterra memórias que rasgam o véu do apagamento histórico imposto pelo ocidente. Em confluência com a temporalidade espiralar de Antônio Bispo dos Santos e a força do corpo-território, a obra celebra a palavra falada como uma trincheira política e cultural. Trata-se de um manifesto afetivo que atesta a continuidade histórica de um povo que, ao soprar seus termos ancestrais, prova que mesmo queimando a escrita, a ancestralidade permanece de pé, viva e insubmissa.
Referências
BIENAL DE SÃO PAULO. Quilombo Cafundó (audioguia). 2024. Disponível em: https://35.bienal.org.br/en/audioguias/quilombo-cafundo-3/. Acesso em: 06 abr. 2026.
BISPO DOS SANTOS, Antônio. Colonização, quilombos: modos e significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015.
CABNAL, Lorena. Acercamiento a la construção de la propuesta de pensamiento epistémico de las mujeres indígenas feministas comunitarias de Abya Yala. In: FEMINISMOS DIVERSOS: el feminismo comunitario. Madrid: ACSUR-Las Segovias, 2010. p. 10–25.
CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
CORPOS DA ÁGUA VERMELHA. Quilombo Cafundó – história e resistência. YouTube, 1 out. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WO31e58FrmQ. Acesso em: 16 abr. 2026.
CULTURA SALTO DE PIRAPORA. Oficina: tradição do quilombo (conhecendo a linguagem cupópia). YouTube, 17 nov. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QY8XfbnHbD8. Acesso em: 17 abr. 2026.
DUDCOSCHI, Luana L.; BARROS, Adriana L. Vimbundo está cucopiando: uma análise sobre a língua falada na comunidade de Cafundó. Revista Philologus, 2021.
FURTADO, M. B.; PEDROZA, R. L. S.; ALVES, C. B. Cultura, identidade e subjetividade quilombola: uma leitura a partir da psicologia cultural. Psicologia & Sociedade, v. 26, n. 1, p. 106–115, 2014.
GOMES, André Luís. Normatização e uso do território na perspectiva das comunidades remanescentes de quilombos: estudo de caso do Cafundó. 2016.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Mapa de setor rural: 354530805000087 (Comunidade Quilombola Cafundó). Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://geoftp.ibge.gov.br/cartas_e_mapas/mapas_para_fins_de_levantamentos_estatisticos/censo_demografico_2022/mapas_e_descritivos_de_setores_censitarios/SP/3545308/35453080500/MSR/354530805000087/A2_354530805000087_MSR.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.
JORNAL DA TARDE. Cafundó, quilombo ao vivo. São Paulo, 11 nov. 1995. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/index.php/acervo/noticias/cafundo-quilombo-ao-vivo. Acesso em: 27 abr. 2026.
MARTÍN-BARÓ, Ignacio. Psicologia da libertação. Petrópolis: Vozes, 2017.
MONTERO, Maritza. Introducción a la psicología comunitaria: desarrollo, conceptos y procesos. Buenos Aires: Paidós, 2004.
NASCIMENTO, Beatriz. O conceito de quilombo e a resistência cultural negra. In: RATTS, Alex (org.). Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza, 2006.
PERIFERIA EM MOVIMENTO. Território como continuidade: Quilombo Cafundó resiste há mais de 150 anos, em Salto de Pirapora/SP. YouTube, 10 set. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_TgC1KmKtQM. Acesso em: 16 abr. 2026.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais: perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
QUILOMBO Cafundó – dança, alimento, artesanato e resistência. Produção de Ubu Editora. YouTube, 27 out. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=cULZ0hOWMs4. Acesso em: 10 abr. 2026.
RIVERA CUSICANQUI, Silvia. Ch’ixinakax utxiwa: una reflexión sobre prácticas y discursos descolonizadores. Buenos Aires: Tinta Limón, 2010.
SANTOS, Vanessa Soares dos; MENDONÇA, Viviane Melo de. Tamucanda: no quilombo Cafundó em saberes e memórias de vó Ifigênia. In: Ciência e arte do encontro: o Rio de braços abertos. Campina Grande: Realize Editora, 2024.
SANTOS SOUZA, Neusa. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Graal, 1983.
SAWAIA, Bader (org.). As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. Petrópolis: Vozes, 1999.
SESC SÃO PAULO. Itinerários de resistência: Quilombo Cafundó. 2018. Disponível em: [suspicious link removed]. Acesso em: 06 abr. 2026.
SILVA, Lucas Bento da. A dinâmica da construção da identidade e do território no Quilombo Cafundó (Salto de Pirapora – SP). 2016. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2016.
TV TEM. Identidades do interior: a assinatura preta da nossa história. Sorocaba: Rede Globo, 21 nov. 2025. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/14112597/. Acesso em: 10 abr. 2026.
VOGT, Carlos; FRY, Peter. Cafundó: a África no Brasil – linguagem e sociedade. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996.