Parir mundos em tempos de morte
Matripotência como categoria analítica para o movimento Mães de Maio
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21138090Palavras-chave:
Movimento Mães de Maio, Matripotência, Necropolítica, Luto político, Epistemologias afrocentradasResumo
Este ensaio crítico rasga os enquadramentos coloniais para escutar o clamor e a força do Movimento Independente Mães de Maio. Sob o sopro das epistemologias afrocentradas e da cosmopercepção yorubá, o estudo evoca a categoria de matripotência para ler o luto e a maternidade como insurgências profundamente políticas. Diante dos Crimes de Maio — ferida exposta da necropolítica e do racismo de Estado —, essas mulheres recusam o confinamento do túmulo e a fôrma ocidental que tranca a mãe no choro solitário do espaço privado. Ao ocupar as ruas com os rostos de seus filhos, elas transformam a dor em uma responsabilidade ética inegociável, um tear de memória viva e uma cobrança implacável por justiça. A matripotência surge aqui como o poder sagrado e político da Iyá, uma autoridade pública que sustenta a existência, desafia as políticas de morte e teima em parir novos mundos de dignidade para a juventude negra e periférica.
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