Eu, mulher
Oficina de escrevivência e expressão terapêutica para mulheres negras
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21138262Palavras-chave:
Autoestima, Mulheres Negras, Saúde Mental, Decolonialidade, Intervenção GrupalResumo
O trabalho apresenta um relato de experiência sobre uma oficina terapêutica voltada ao desenvolvimento da autoestima de mulheres negras, através do autoconhecimento, fundamentada em perspectivas afrocentradas e decoloniais. Parte-se do entendimento de que, os impactos do racismo atravessam a subjetividade e a saúde mental dessa população, exigindo práticas psicológicas contextualizadas. A intervenção, intitulada “Escrevivência e Expressão”, foi realizada em dois encontros presenciais com mulheres negras adultas, em formato de grupo terapêutico. As atividades envolveram escrita, colagens, desenhos, oralidade e uso de referências simbólicas afrocentradas, com foco na expressão de sentimentos, identidade e pertencimento. Os registros das falas e produções das participantes foram analisados qualitativamente por meio de análise temática. Os resultados apontam que o espaço coletivo favoreceu a expressão de experiências silenciadas, a elaboração psíquica e o fortalecimento de vínculos, contribuindo para a construção de novos sentidos sobre si. Observou-se que a autoestima emerge também do processo relacional, vinculado ao reconhecimento e à experiência coletiva. Conclui-se que a adoção de práticas terapêuticas, alinhadas a epistemologias não hegemônicas, revela-se como uma importante estratégia de cuidado em saúde mental.
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019. 149 p. (Feminismos plurais).
BENJAMIN, Jessica. The bondsoflove: psychoanalysis, feminism, andtheproblemofdomination. New York: Pantheon Books, 1990.
BRAUN, Virginia; CLARKE, Victoria. Usingthematicanalysis in psychology. QualitativeResearch in Psychology, v. 3, n. 2, p. 77–101, 2006. DOI: 10.1191/1478088706qp063oa.
DIOP, Cheikh Anta. Civilização ou barbárie: uma introdução ao problema do futuro da África. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.
DIWAN, Pietra. Raça pura: uma história da eugenia no Brasil e no mundo. São Paulo: Contexto, 2007.
EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. Rio de Janeiro: Malê, 2018.
EVARISTO, Conceição. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade. São Paulo: Pallas, 2026.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
GAUTHIER, Jacques. O oco do vento: metodologia da pesquisa sociopoética e estudos transculturais. Curitiba: CRV, 2012.
GAUTHIER, Jacques. Sociopoética: encontro entre arte, ciência e democracia na pesquisa em ciências humanas e sociais, enfermagem e educação. Rio de Janeiro: Escola Anna Nery/UFRJ, 1999.
GOMES, Nilma Lino. O povo negro no Brasil. Salvador: EDUFBA, 2023.
LORDE, Audre. Learning fromthe 60s. In: LORDE, Audre. Sister outsider: essaysand speeches. Trumansburg, NY: The Crossing Press, 1984. p. 134–144.
LORDE, Audre. Zami: A New SpellingofMyName: A Biomythography. Trumansburg, NY: Crossing Press, 1982.
NASCIMENTO, Abdias do. O quilombismo: documentos de uma militância pan-africanista. São Paulo: Perspectiva, 2019.
NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009.
NOGUERA, Renato. Mulheres e deusas: como as divindades e os mitos femininos formaram a mulher atual. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2018.
SANTOS, I. et al. Prática da pesquisa nas ciências humanas e sociais: abordagem sociopoética. São Paulo: Atheneu, 2005.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil (1870–1930). São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Raça pura: uma história da eugenia no Brasil e no mundo. São Paulo: Contexto, 2021. Disponível em:https://www.editoracontexto.com.br/produto/raca-pura-uma-historia-da-eugenia-nobrasil-e-no-mundo/. Acesso em: 21 abr. 2026.
SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.