Escrevivência e psicologia da descolonização

Narrativas negras como dispositivo de escuta na educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21138314

Palavras-chave:

Escrever, Escutar, Narrativas negras, Psicologia da Descolonização, Memória e resistência

Resumo

Há histórias que habitam as pausas, os silêncios e os sulcos de corpos marcados pelo racismo e por exclusões geracionais que os relatórios escolares não ousam registrar. Este ensaio teórico e bibliográfico propõe uma rasura na colonialidade do saber e no epistemicídio que tentam emudecer essas trajetórias nos corredores da educação. Ao entrelaçar os caminhos da Psicologia da Descolonização com a escrevivência de Conceição Evaristo, o estudo reivindica as narrativas de mulheres negras não como meros objetos de análise, mas como fundamentos intelectuais e dispositivos políticos de escuta. Assumindo o ato de pesquisar como um exercício ético de implicação e memória, a obra afirma que o corpo que vive é o mesmo corpo que gesta teoria e produz mundo. Não se buscam aqui respostas prontas ou enquadramentos estanques, mas sim um convite aberto ao eco das vozes sufocadas, à escrita insurgente e à parição de outras possibilidades de saber, dignidade e liberdade.

Biografia do Autor

Katarynne Martins da Silva, Instituto Parentes

Psicóloga com atuação em Psicologia Social, Escolar e Clínica, orientada pela Psicanálise. Especialista em Dependência Química e pós-graduanda em Psicologia da Descolonização. Atua como psicóloga no Instituto Negro de Alagoas (INEG) e é voluntária no Centro de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM), desenvolvendo ações voltadas à saúde mental, relações étnico-raciais, gênero, diversidade sexual, educação e direitos humanos. Realiza psicoterapia com foco na clínica racializada e na escuta de populações historicamente vulnerabilizadas, além de desenvolver pesquisas e formações em Psicologia Antirracista, Psicologia Descolonial, Psicologia Escolar, saúde mental, juventudes e processos de subjetivação. É idealizadora de projetos de formação, clubes de leitura e ações de educação permanente voltados à construção de práticas psicológicas comprometidas com a justiça social e a decolonização do saber.

Caroline Magna de Oliveira Costa

Enfermeira pela Universidade Federal de Alagoas. Mestra em Enfermagem pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem (EENF) da Universidade Federal de Alagoas. Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Enfermagem Psiquiátrica pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP).  

Referências

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. São Paulo: Jandaíra, 2019.

CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2011.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista latino-americano. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.

hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

Downloads

Publicado

07.07.2026

Como Citar

Silva, K. M. da, & Costa, C. M. de O. (2026). Escrevivência e psicologia da descolonização: Narrativas negras como dispositivo de escuta na educação. Revista Parentada, 1(1), 390–397. https://doi.org/10.5281/zenodo.21138314

Edição

Seção

4 - Clínicas do Conviver: dispositivos de escuta e feituras de sentido