Caminhos de descolonização na formação em psicologia em uma universidade pública da Bahia

repensando o normal e o patológico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21134878

Palavras-chave:

Formação em Psicologia, Relações étnico-raciais, Descolonização, Ensino superior, Normal e Patológico

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo relatar e analisar uma experiência de docência em Psicologia no componente curricular Processo Integrado de Trabalho IV – PIT IV, da Universidade Federal da Bahia – UFBA, responsável por articular os demais componentes do quarto semestre da formação em Psicologia, tendo como eixo organizador "a constituição do sujeito: desenvolvimento normal e patológico". A experiência teve início a partir da provocação de discentes negras/os ao questionarem a ausência da questão racial nas teorias psicológicas mobilizadas ao longo da formação, especialmente em um contexto como o da Bahia, cuja população é majoritariamente negra. Esse questionamento, articulado ao percurso formativo do docente na graduação em Ciências Sociais e na Especialização em Psicologia da Descolonização, impulsionou o redesenho do plano de curso do componente. Trata-se de um relato de experiência docente, desenvolvido ao longo de três semestres letivos (2024.2, 2025.1 e 2025.2), fundamentado em levantamento bibliográfico não sistemático e na revisão contínua do plano de curso. Inicialmente, foram incorporadas contribuições do pensamento psicológico brasileiro sobre as relações étnico-raciais e da Psicologia Social Crítica Latino-Americana para problematizar as definições de normalidade e patologia, mobilizando autoras/es como Frantz Fanon, Neusa Santos Souza, Guerreiro Ramos, Maria Aparecida Silva Bento, Hildeberto Vieira Martins, Renan Vieira de Santana Rocha, Ignácio Martín-Baró, entre outras/os. Ao longo dos semestres, novas referências foram incorporadas e as discussões ampliadas para outros marcadores sociais da diferença, incluindo gênero, sexualidades, deficiência e povos indígenas, problematizando os processos históricos de patologização e exclusão produzidos pelo saber psicológico hegemônico. O percurso desenvolvido contribuiu para tensionar o cânone tradicional da Psicologia, promovendo reflexões críticas acerca dos processos de subjetivação e das desigualdades que atravessam a constituição dos sujeitos no contexto brasileiro. Considera-se que a experiência colaborou para a ampliação do repertório analítico das/os estudantes e para a construção de uma formação em Psicologia comprometida com a crítica às bases eurocentradas do campo, constituindo-se como uma experiência de descolonização da formação psi.

Biografia do Autor

Mailson Santos Pereira, Instituto Parentes

Psicólogo Social – CRP03/7767; Mestre em Ciências Sociais pela UFRB e em Estado, Governo e Políticas Públicas pela FLACSO; Discente do Doutorado em Ciências Sociais pela UFBA; Vice-Líder do Grupo de Pesquisa Estado Democrático e Direitos do DEDC/UNEB; e Coorientador da Liga Acadêmica de Psicologia Social Latino-Americana do IPSS/UFBA.

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Publicado

07.07.2026

Como Citar

Pereira, M. S. (2026). Caminhos de descolonização na formação em psicologia em uma universidade pública da Bahia: repensando o normal e o patológico. Revista Parentada, 1(1), 30–42. https://doi.org/10.5281/zenodo.21134878