Cicatrizes coloniais e dispositivos de simbolização

a escuta coletiva como prática de construção de sentidos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21134977

Palavras-chave:

Trauma social, Sofrimento psíquico, Subjetividade, Simbolização, Práticas coletivas, Perspectiva decolonial

Resumo

O presente artigo reflete sobre a simbolização de dores coletivas, a partir de uma experiência de escuta, problematizando os limites de uma compreensão do sofrimento psíquico restrita à dimensão individual. Parte-se do pressuposto de que formas de sofrimento difuso estão relacionadas a experiências históricas e coletivas não simbolizadas, especialmente vinculadas ao legado colonial. Trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa, fundamentado na análise reflexiva de uma aula com abordagem participativa e escuta implicada. O referencial teórico articula as concepções de trauma social e psicossocial, bem como a noção de subjetividade relacional. Os resultados indicam que o espaço coletivo favorece a fala, o reconhecimento mútuo e a construção de sentidos compartilhados, possibilitando a passagem de um sofrimento fragmentado para uma compreensão mais integrada. Conclui-se que práticas coletivas de escuta e narrativa constituem dispositivos de simbolização, contribuindo para a elaboração de traumas históricos e para a ressignificação do sofrimento.

Biografia do Autor

Denise Silva Nonoya, Instituto Parentes

Psicóloga, Psicoterapeuta, exerce a Clínica Racializada. Professora e Supervisora em Psicodrama. Especialista em Análise Transacional; Psicologia Clínica e Antroposofia; História da África e do Negro no Brasil e em Terapia da Constelação Familiar Sistêmica. Pós-graduanda em Psicologia Decolonial no Instituto Parentes. 

Patrícia Maria Berg Trindade de Oliveira

Pedagoga. Mestra em Educação PPGEdu-UFRGS-dentro da Linha de pesquisa: História, Memória e Educação, pesquisando os Museus Comunitários do México. Especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona/Itaú Cultural; Psicologia Educacional; História e Cultura Afro-brasileira; Terapia da Constelação Familiar: Práticas Integrativas e Complementares e Direitos Humanos, Cultura e Educação. Facilitadora em Museus Comunitários formada no 1º Curso de Formação de Facilitadores em Museus Comunitários pela União de Museus.

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Publicado

07.07.2026

Como Citar

Nonoya, D. S., & Oliveira, P. M. B. T. de. (2026). Cicatrizes coloniais e dispositivos de simbolização: a escuta coletiva como prática de construção de sentidos. Revista Parentada, 1(1), 43–57. https://doi.org/10.5281/zenodo.21134977