Cicatrizes coloniais e dispositivos de simbolização
a escuta coletiva como prática de construção de sentidos
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21134977Palavras-chave:
Trauma social, Sofrimento psíquico, Subjetividade, Simbolização, Práticas coletivas, Perspectiva decolonialResumo
O presente artigo reflete sobre a simbolização de dores coletivas, a partir de uma experiência de escuta, problematizando os limites de uma compreensão do sofrimento psíquico restrita à dimensão individual. Parte-se do pressuposto de que formas de sofrimento difuso estão relacionadas a experiências históricas e coletivas não simbolizadas, especialmente vinculadas ao legado colonial. Trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa, fundamentado na análise reflexiva de uma aula com abordagem participativa e escuta implicada. O referencial teórico articula as concepções de trauma social e psicossocial, bem como a noção de subjetividade relacional. Os resultados indicam que o espaço coletivo favorece a fala, o reconhecimento mútuo e a construção de sentidos compartilhados, possibilitando a passagem de um sofrimento fragmentado para uma compreensão mais integrada. Conclui-se que práticas coletivas de escuta e narrativa constituem dispositivos de simbolização, contribuindo para a elaboração de traumas históricos e para a ressignificação do sofrimento.
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