Espelho de Oxum
Práticas decoloniais na escola
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21135095Palavras-chave:
Identidade, Educação Antirracista, Colonialidade, Extensão UniversitáriaResumo
Este trabalho tem como objetivo analisar a atividade “Espelho de Oxum” como uma prática pedagógica voltada à construção da identidade, ao enfrentamento do racismo e à valorização da estética negra no contexto escolar. Desenvolvida no âmbito de projetos de extensão, a atividade articula elementos simbólicos das tradições afro-brasileiras, como a contação de itãs, a musicalidade e o uso do espelho como dispositivo de reconhecimento de si. A atividade foi realizada com turmas do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental da escola de Aplicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), envolvendo crianças com idades entre 10 e 11 anos. A abordagem metodológica adotada insere-se em uma perspectiva decolonial, compreendendo a pesquisa como prática implicada, relacional e situada, construída no encontro entre universidade, escola e comunidade. Nesse sentido, privilegia-se a escuta sensível, a valorização das experiências e narrativas das crianças e o reconhecimento de seus saberes como legítimos, por meio de registros em diário de campo. O diálogo teórico é estabelecido com autoras e autores do campo da educação das relações étnico-raciais, especialmente no que se refere ao conceito de colonização da mente e seus impactos na construção da identidade. As experiências evidenciam que as crianças expressam percepções de si atravessadas por padrões hegemônicos de beleza e por processos de desvalorização racial, manifestados tanto na dificuldade de autoidentificação quanto no desejo de embranquecimento. Ao mesmo tempo, observam-se diferentes formas de recepção da atividade, que variam entre o envolvimento e a resistência, revelando tensões relacionadas também à intolerância religiosa. Apesar desses desafios, a atividade demonstrou potencial para promover deslocamentos nos modos de ver e compreender a si e ao outro, criando espaços de escuta, reflexão e valorização da diversidade. Além disso, destaca-se o impacto formativo dos projetos de extensão na trajetória de estudantes participantes, evidenciando sua relevância na articulação entre formação acadêmica, prática pedagógica e compromisso social. Conclui-se que o “Espelho de Oxum” se configura como uma prática pedagógica potente no enfrentamento ao racismo e à colonialidade, contribuindo para a construção de uma educação antirracista, decolonial e comprometida com a valorização das múltiplas identidades.
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