Escrevivência sem fronteiras
Estratégias decoloniais de enfrentamento à violência de gênero entre mulheres quilombolas, negras, transgênero, de terreiro e indígenas em Oiapoque, Amapá, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21135142Palavras-chave:
Mulheres, Violência, Gênero, Escrevivência, Assistência, OiapoqueResumo
A cidade de Oiapoque, no extremo norte do Brasil, estado do Amapá, configura-se como território de intensas trocas simbólicas, explorações materiais múltiplas de interesse capitalista desde os primórdios da colonização12 e vulnerabilidades acentuadas pela condição de fronteira binacional (Brasil-Guiana Francesa). Neste cenário, mulheres quilombolas, negras, transgênero, de terreiro e indígenas enfrentam a sobreposição de opressões: a violência de gênero, o racismo estrutural, o sexismo, e a herança colonial que silencia suas narratives. Este trabalho propôs abordar ferramentas de aplicação aprendidas ao longo da pós-graduação em Psicologia da Descolonização, sobretudo a metodologia da Escrevivência, de Conceição Evaristo, não como um saber meramente acadêmico, mas como vivência de libertação. Os objetivos específicos deste trabalho consistiram em: promover espaços de escuta qualificada e partilha coletiva; utilizar a Escrevivência como dispositivo para denunciar violações e anunciar novas possibilidades de existência; sistematizar a produção poética coletiva das participantes para publicação e difusão. Embora breve, o ciclo de vivências possibilitou vislumbrar novas possibilidades de cuidado coletivo entre mulheres e de denúncia da violência de gênero na fronteira binacional.
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