Escrevivência sem fronteiras

Estratégias decoloniais de enfrentamento à violência de gênero entre mulheres quilombolas, negras, transgênero, de terreiro e indígenas em Oiapoque, Amapá, Brasil

Autores

  • Ana Paula Nóbrega Fonte Instituto Parentes
  • Raffaella Andréa Fernandez

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21135142

Palavras-chave:

Mulheres, Violência, Gênero, Escrevivência, Assistência, Oiapoque

Resumo

A cidade de Oiapoque, no extremo norte do Brasil, estado do Amapá, configura-se como território de intensas trocas simbólicas, explorações materiais múltiplas de interesse capitalista desde os primórdios da colonização12 e vulnerabilidades acentuadas pela condição de fronteira binacional (Brasil-Guiana Francesa). Neste cenário, mulheres quilombolas, negras, transgênero, de terreiro e indígenas enfrentam a sobreposição de opressões: a violência de gênero, o racismo estrutural, o sexismo, e a herança colonial que silencia suas narratives. Este trabalho propôs abordar ferramentas de aplicação aprendidas ao longo da pós-graduação em Psicologia da Descolonização, sobretudo a metodologia da Escrevivência, de Conceição Evaristo, não como um saber meramente acadêmico, mas como vivência de libertação. Os objetivos específicos deste trabalho consistiram em: promover espaços de escuta qualificada e partilha coletiva; utilizar a Escrevivência como dispositivo para denunciar violações e anunciar novas possibilidades de existência; sistematizar a produção poética coletiva das participantes para publicação e difusão. Embora breve, o ciclo de vivências possibilitou vislumbrar novas possibilidades de cuidado coletivo entre mulheres e de denúncia da violência de gênero na fronteira binacional.

Biografia do Autor

Ana Paula Nóbrega Fonte, Instituto Parentes

Especialista em Psicologia da Descolonização pelo Instituto Cooperativo Parentes/FGV; bacharel em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Há 20 anos atua na região da fronteira binacional entre Brasil e Guiana Francesa em projetos com populações indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Atualmente é pesquisadora do Projeto Mosaic - PICTIS / Fiocruz, que aborda estratégias de enfrentamento das mudanças climáticas no contexto da Saúde Única e Analista Socioambiental de empreendimentos com impactos sobre territórios tradicionais.

Raffaella Andréa Fernandez

Pós-doutorado em Ciência da Literatura e Cultura Contemporânea, coordenadora do Grupo de Pesquisas Contracoloniais Carolina Maria de Jesus (CNPq) e docente da Universidade Federal da Integração Latino Americana - UNILA.

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Publicado

07.07.2026

Como Citar

Fonte, A. P. N., & Fernandez, R. A. (2026). Escrevivência sem fronteiras: Estratégias decoloniais de enfrentamento à violência de gênero entre mulheres quilombolas, negras, transgênero, de terreiro e indígenas em Oiapoque, Amapá, Brasil. Revista Parentada, 1(1), 68–78. https://doi.org/10.5281/zenodo.21135142