Sobre a Revista

A Revista Parentada nasce como o braço editorial e o território de partilha do Instituto Parentes. Gestada na urgência de trazer para a cena saberes, narrativas e temas que pouco encontram espaço na pós-graduação tradicional, ela surge como um ato de desobediência a uma estrutura historicamente colonial, eurocentrada e capitalista.

Mais do que seguir protocolos rígidos, trilhamos caminhos de criação de realidades nas dimensões políticas, estéticas e (po)éticas. Entendemos a escrita como um território de disputa, uma ferramenta de equidade e a nossa forma de ritualizar o parentesco, a irmandade e a gira. Somos um movimento que agrega a pluralidade de corpas, afetos e ancestralidades, honrando quem veio antes e abrindo caminhos para que o conhecimento retorne às comunidades.

Aos insurgentes, afetuosos e tecedores de caminhos, bem-vindes à Revista Parentada!

Edição Atual

v. 1 n. 1 (2026): Entre Parentes: horizontes descolonizadores, práticas psicossociais e saberes insurgentes
Ilustração em tons de bege texturizado com a silhueta de um mapa estilizado ao fundo. No centro, uma guirlanda circular formada por ramos de ervas e plantas diversas, como arruda, alecrim, alfazema, folhas avermelhadas e um capulho de algodão. Dentro da guirlanda, lê-se o título principal: "entre parentes". Abaixo dele, o subtítulo: "horizontes descolonizadores, práticas psicossociais e saberes insurgentes". Na parte inferior central, consta o logotipo com um pássaro Adinkra (Sankofa) e o nome "revista parentada".

Há chegadas que não anunciam apenas um ponto de partida, mas a abertura de novos caminhos. A Revista Parentada nasce desse lugar: como um gesto coletivo de encontro, de ruma, como dizem no Ceará, de travessia e de semeadura. Seu surgimento representa o desejo de reunir e dar visibilidade às muitas formas de produzir conhecimento que florescem nos territórios, nas comunidades, nos movimentos sociais, nos espaços educativos, nos corpos dissidentes e nas experiências que historicamente foram colocadas à margem das narrativas acadêmicas hegemônicas. Mais do que uma revista, a Parentada se apresenta como um território de diálogo, em que diferentes saberes, cores, sotaques e histórias, podem se reconhecer, se afetar e se fortalecer mutuamente.

O nome “Parentada” evoca pertencimento, vínculo, comunidade e ancestralidade. Fala de uma ciência que não caminha sozinha, mas que se constrói em roda, em conversa, em reciprocidade. Aqui, cabem as reflexões sobre diversidade, relações raciais, mulheridades, educação popular, decolonialidade, contracolonialidade, territorialidades, direitos humanos, arte, cultura, saúde mental e coletiva e tantas outras temáticas que atravessam a complexidade da vida contemporânea. Cabem também os saberes produtos nas fronteiras entre disciplinas, aqueles que insistem em romper cercas e desafiar estruturas mais rígidas. A revista nasce comprometida com uma produção de conhecimento técnica, (po)ética e política, comprometida com a vida e todos os seres que nela habitam.

Não por acaso, na ocasião do Encontro “Tudo que nóis tem é nóis” na sua terceira edição, chega ao mundo o marco primeiro dessa revista, o Dossiê de Chegança. A palavra “chegança” carrega a beleza dos encontros que se anunciam, das embarcações que aportam, dos grupos que se reconhecem e celebram a possibilidade de estar juntes. Este dossiê reúne textos que são frutos de percursos intensos de estudo, pesquisa, escuta e elaboração crítica das ciências diversas. São escritos que carregam marcas de experiências singulares e coletivas, atravessados pelos desafios e pela poética de pensar outros modos de existir, conhecer e cuidar.

A publicação deste dossiê na revista Parentada, celebra um momento profundamente simbólico: a conclusão da primeira turma de Pós-Graduação em Psicologia e Descolonização da América Latina, realizada pelo Instituto Parentes em parceria com a FGE, um curso de 420h que começou no fim de 2024 e concluiu-se em meados de 2026, um programa pedagógico do José Maria Nogueira Neto, sob minha coordenação pedagógica. Trata-se de uma experiência formativa pioneira, construída a partir de eixos temáticos fundamentais para compreender os desafios do nosso tempo e para imaginar futuros mais justos, plurais e comprometidos com a dignidade humana. Ao longo desse percurso, estudantes, docentes, orientadores e orientadoras teceram reflexões que buscaram deslocar olhares colonizados e ampliar as possibilidades de produção de conhecimento a partir das realidades dos nossos saberes e das memórias de nossas histórias de vidas.

Os textos aqui reunidos constituem parte desse legado. Foram cuidadosamente elaborados, acompanhados por processos de orientação, submetidos à avaliação de pareceristas e amadurecidos no diálogo acadêmico e político que caracteriza uma formação comprometida com a vida e com a luta pelo viver. Cada artigo representa não apenas a conclusão de uma etapa formativa, mas também a abertura de novas perguntas, novas pesquisas e novas formas de intervenção no mundo. Por isso, esta revista não nasce como ponto final. Ela nasce como convite. Convite para que pesquisadoras, pesquisadores, educadoras, educadores, estudantes, artistas, ativistas e comunidades compartilhem seus saberes e experiências, para que a ciência possa ser habitada por múltiplas vozes, múltiplos sotaques, múltiplas epistemologias e múltiplas formas de narrar a vida, para que possamos reconhecer a riqueza dos conhecimentos produzidos nos territórios e nas margens de nossos solos sagrados, entendendo que são justamente esses lugares que frequentemente guardam as respostas mais profundas para os desafios do presente.

Que a revista Parentada, que chega com o título: “Entre Parentes: horizontes descolonizadores, práticas psicossociais e saberes insurgentes”, seja recebida como quem abre a porta de casa para visitas queridas. Que cada texto encontre leitores e leitoras dispostos ao encontro, à escuta e à transformação. Que essa revista que hoje nasce para o mundo, possa seguir seu caminho como um espaço fértil de partilha, acolhimento e criação coletiva, honrando as ancestralidades que nos trouxeram até aqui e ajudando a construir os horizontes que ainda desejamos alcançar.

Seja bem-vinda, Revista Parentada. Antes de tu seres concreta, já tinhas nascido no meu coração.

Chegue. E faça chegar.

— Daniela Campelo Lima

Publicado: 10.07.2026

Edição completa

Apresentação

1 - Raízes Implicadas e Territórios Epistêmicos

2 - Giras, Versos e Corpos Encantados

4 - Clínicas do Conviver: dispositivos de escuta e feituras de sentido

Ver Todas as Edições